sexta-feira, 11 de agosto de 2023

 A Literatura Sufocada.

Nos regimes totalitário s as pessoas são oprimidas e aquelas que resistem pagam muito caro, inclusive com a vida. Dentre os oprimidos se destacam artistas, escritores e todos aqueles que fazem cultura. A grande literatura russa do séc.XX é um grande exemplo dessa opressão.Com a ascensão do regime comunista muitos escritores tiveram suas obras censuradas e proibidas, e alguns foram presos e até mortos. Após a "glassnot" do Gorbachev na década de 1980 muitos livros e autores foram reabilitados. Exemplos não faltam: Mikhail Bulgákov (1891-1940) teve seus trabalhos rejeitados pela censura sob a acusação de serem contrários aos dogmas do realismo socialista. Seu grande romance "O Mestre e a Margarida", escrito durante os anos 40, só foi publicado na Rússia em 1973; Alexander Soljenitsyn (1918-2008), prêmio Nobel de literatura de 1970, após cumprir pena de 8 anos em um dos "gulags" de Stálin, conseguiu contrabandear os originais do seu romance "O Arquipélago Gulag" para o ocidente; Bóris Pasternak (1890-1960), poeta e romancista, autor do romance "Dr. Jivago". A obra foi publicada fora da União Soviética em 1957 após ser banida pela censura. Só seria lida por seus conterrâneos em 1987, 27 anos após a morte do autor. Bóris foi agraciado com o prêmio Nobel de 1957 mas não pode ir recebê-lo pois foi proibido de sair do país. O prêmio foi recebido pela sua fillha; Isaac Babel (1894-1940), jornalista e escritor de origem judaica. Apesar de ter sido um idealista defensor do marxismo-leninismo, foi preso por suas idéias contrárias ao realismo socialista, torturado e executado durante o grande expurgo de Stálin. É autor do famoso livro de contos "O Exército de Cavalaria" sobre a guerra entre a Rússia e a Polônia; Vassili Grosman (1905-1964), escritor e jornalista. Foi repórter do governo, designado para acompanhar a batalha de Stalingrado. Seu romance "Vida e Destino", comparado à Guerra e Paz de Tolstói, foi confiscado e proibido pela KGB em 1960. Os originais foram contrabandeados para o Ocidente e o romance foi publicado na Europa e nos Estados Unidos na década de 80 e apenas em 1988 na Rússia, muito depois da morte do escritor; Daniil Kharms (1905-1942), escritor vanguardista precursor da literatura do absurdo na Rússia. Fundou a  "Associação para uma arte real " que ao entrar em conflito com o realismo socialista teve seus membros presos. Kharms foi preso e exilado e acabou internado num hospital psiquiátrico onde morreu provavelmente de fome. Seus textos só foram publicados após a queda do regime soviético. E não foram só estes. Alguns prevendo perseguições acabaram se exilando, como Vladimir Nabokov, autor do famoso romance "Lolita"; Serguei Dovlatóv que emigrou para os Estados Unidos onde publicou todos seus romances e Ivan Bunin, primeiro russo a ganhar um prêmio Nobel. E muitos outros, não só na Rússia como também nos países satéllites, Hungria, Romênia, Polônia e República Tcheca..

 

 

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