terça-feira, 29 de agosto de 2023

 GULAG.

Gulags eram campos de trabalhos forçados da Rússia Soviética existentes entre 1930 e 1960, usados por Stálin contra seus opositores e situados na Sibéria. Calcula-se que mais de um milhão de pessoas morreram nestes campos sob o frio intenso daquela região.
Dois notáveis escritores russos sobreviveram aos horrores de um gulag: Aleksandr Soljenitsin e Varlam Chalámov que com seus livros "Arquipélago Gulag" e "Contos de Kolimá" expuseram ao mundo os horrores do regime soviético.
O Brasil também teve seus "gulags". Floriano Peixoto, quando presidente do Brasil, prendia seus adversários políticos na ilha do Anhatomirim, em Florianópolis. Na década de 1930 Getúlio Vargas encarcerou seus inimigos, após a Intentona Comunista, em porões de navios e campos de concentração. O escritor Graciliano Ramos amargou uma temporada nesses locais onde escreveu seu livro "Memórias do Cárcere". Nos dias atuais temos as prisões da "papuda" e da "colmeia" onde foram encarcerados manifestantes do dia 8,1,23.
  • terça-feira, 15 de agosto de 2023

     Venho observando no Facebook inúmeras ofertas de venda de livros com descontos atraentes, e também de grupos que incentivam a leitura, e a aquisição de obras sobre os mais variados assuntos. Nunca houve até agora tanto incentivo para a leitura. Aí eu me pergunto: o que está havendo?  as pessoas estão lendo mais? ou os livreiros estão em dificuldades? Não sei. A impressão que tenho é de uma luta desesperada entre o impresso e o digital.

    sexta-feira, 11 de agosto de 2023

     A Literatura Sufocada.

    Nos regimes totalitário s as pessoas são oprimidas e aquelas que resistem pagam muito caro, inclusive com a vida. Dentre os oprimidos se destacam artistas, escritores e todos aqueles que fazem cultura. A grande literatura russa do séc.XX é um grande exemplo dessa opressão.Com a ascensão do regime comunista muitos escritores tiveram suas obras censuradas e proibidas, e alguns foram presos e até mortos. Após a "glassnot" do Gorbachev na década de 1980 muitos livros e autores foram reabilitados. Exemplos não faltam: Mikhail Bulgákov (1891-1940) teve seus trabalhos rejeitados pela censura sob a acusação de serem contrários aos dogmas do realismo socialista. Seu grande romance "O Mestre e a Margarida", escrito durante os anos 40, só foi publicado na Rússia em 1973; Alexander Soljenitsyn (1918-2008), prêmio Nobel de literatura de 1970, após cumprir pena de 8 anos em um dos "gulags" de Stálin, conseguiu contrabandear os originais do seu romance "O Arquipélago Gulag" para o ocidente; Bóris Pasternak (1890-1960), poeta e romancista, autor do romance "Dr. Jivago". A obra foi publicada fora da União Soviética em 1957 após ser banida pela censura. Só seria lida por seus conterrâneos em 1987, 27 anos após a morte do autor. Bóris foi agraciado com o prêmio Nobel de 1957 mas não pode ir recebê-lo pois foi proibido de sair do país. O prêmio foi recebido pela sua fillha; Isaac Babel (1894-1940), jornalista e escritor de origem judaica. Apesar de ter sido um idealista defensor do marxismo-leninismo, foi preso por suas idéias contrárias ao realismo socialista, torturado e executado durante o grande expurgo de Stálin. É autor do famoso livro de contos "O Exército de Cavalaria" sobre a guerra entre a Rússia e a Polônia; Vassili Grosman (1905-1964), escritor e jornalista. Foi repórter do governo, designado para acompanhar a batalha de Stalingrado. Seu romance "Vida e Destino", comparado à Guerra e Paz de Tolstói, foi confiscado e proibido pela KGB em 1960. Os originais foram contrabandeados para o Ocidente e o romance foi publicado na Europa e nos Estados Unidos na década de 80 e apenas em 1988 na Rússia, muito depois da morte do escritor; Daniil Kharms (1905-1942), escritor vanguardista precursor da literatura do absurdo na Rússia. Fundou a  "Associação para uma arte real " que ao entrar em conflito com o realismo socialista teve seus membros presos. Kharms foi preso e exilado e acabou internado num hospital psiquiátrico onde morreu provavelmente de fome. Seus textos só foram publicados após a queda do regime soviético. E não foram só estes. Alguns prevendo perseguições acabaram se exilando, como Vladimir Nabokov, autor do famoso romance "Lolita"; Serguei Dovlatóv que emigrou para os Estados Unidos onde publicou todos seus romances e Ivan Bunin, primeiro russo a ganhar um prêmio Nobel. E muitos outros, não só na Rússia como também nos países satéllites, Hungria, Romênia, Polônia e República Tcheca..